NEUROMODULAÇÃO E REABILITAÇÃO COGNITIVA COMO ESTRATÉGIAS TERAPÊUTICAS NA DEPRESSÃO: ESTUDO DE CASO

Autores:  Sarah Sammy Moreira Sampaio¹; Matheus T Araújo ¹; - lorena Sampaio ³; Jury R G Garcia²;

¹Docente do curso de especialização lato sensu em Neuropsicologia Clínica da Faculdade IEPSE, Brasília – DF. E-mail: sarahsammypsi@gmail.com; matheus@iepse.com.br

²Diretor Acadêmico da Faculdade IEPSE, Brasília – DF.
³Técnica de Neuromodulação do IMPI - Instituto de Medicina e Psicologia Integradas, Brasília – DF.

O biofeedback é uma tecnica de autorregulação que propicia a pessoa à aprender a modificar voluntariamente suas atividades fisiológicas, por isso, mostra-se cada vez mais útil no cenário clínico, podendo ser aplicada para a melhora da saúde e do desempenho do indivíduo.

Nesta técnica utiliza-se, predominantemente, sensores elétricos, posicionados de forma não invasiva sobre a pele, que recebem informações fisiológicas diversas do organismo, como tensão muscular, temperatura da pele, atividade elétrica do cérebro etc.

A estimulação transcraniana por corrente continua (ETCC) é um estilo de neuromodulação por corrente elétrica baixa e continua. Há evidências que a técnica pode aumentar a performance cognitiva (neuroestimulação), dependendo da área estimulada.

Dentre os crescentes usos terapêuticos das técnicas supracitadas, os mais comuns são para transtornos relacionados a aprendizagem, depressão e ansiedade.

Objetivamos neste trabalho propor a combinação terapêutica da ETCC, Biofeedback, terapia cognitiva e farmacoterapia como referência e modelo de tratamento rápido e eficaz na depressão e na melhora cognitiva. Este é o caso de uma brasileira, sexo feminino, 44 anos de idade, parda, nível superior completo, funcionária pública, estudante de concurso, diagnosticada com transtorno depressivo e dificuldades cognitivas, em tratamento medicamentoso há mais de um ano, sem alivio dos sintomas, principalmente na cognição. 

MATERIAIS E MÉTODOS

Afetividade, cognição e personalidade foram avaliadas por uma neuropsicóloga utilizando os seguintes instrumentos: anamnese, observações clínicas, Teste Palográfico, Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção, Escala de Ansiedade e Depressão e outros testes qualitativos. Em junho de 2018 e fevereiro 2019 o funcionamento dos sistemas nervoso central e autonômico foram examinados, com o uso dos seguintes sistemas integrados de biofeedback: eletromiografia, sensível à sinais fisiológicos referentes a tensão muscular; biofeedback térmico, sensível à temperatura da pele; eletroencefalografia, que se concentra na atividade elétrica do cérebro; eletrocardiograma; que recebe informações sobre os batimentos cardíacos e suas variações; biofeedback respiratório, que monitora taxa respiratória e padrão respiratório; e eletrodermógrafo, que recebe informações das glândulas sudoríparas e da transpiração da pele.
De julho 2018 a fevereiro 2019, a paciente foi submetida a estimulação cognitiva, modulação fisiológica monitorada por biofeedback, psicoterapia e psicofármacos. De janeiro a fevereiro de 2019 combinou-se ETCC, no córtex dorso-lateral pré-frontal esquerdo, juntamente com estimulação cognitiva com o programa de enriquecimento instrumental (PEI), objetivando maior eficácia terapêutica e uma modificabilidade cognitiva.
 RESULTADOS: No mês de julho de 2017 emitiu-se diagnóstico de transtorno depressivo e dificuldades cognitivas. Em junho 2018 e fevereiro 2019 o funcionamento dos sistemas nervoso central e autonômico foram examinados com o uso de sistemas integrados de biofeedback. Observou-se indicadores de ansiedade, depressão e baixa polarização cerebral em várias áreas corticais. A Avaliação Neuropsicológica identificou dificuldades em varias habilidades cognitivas, principalmente as executivas, déficit  na produtividade, bem como humor rebaixado. 
Em janeiro de 2019 foi realizado segunda análise do desempenho funcional do sistema nervoso autonômico, nova Avaliação neuropsicológica e Psiquiátrica, aonde observou-se  melhora no humor, na cognição, na produtividade e nas relações interpessoais. 

CONCLUSÃO

Ao longo de avaliações clínicas semanais com uma neuropsicóloga e semestrais utilizando sistemas integrados de biofeedback observamos (1) evidentes melhoras relacionadas ao humor (quadro deprimido) e maior facilidade de relacionar-se, relatadas, também, pela família da participante, (2) maior controle nos traços de insegurança e impulsividade, evidenciados no re-teste, (3) melhoras progressivas nos indicadores fisiológicos ligados aos controles respiratório, cardíaco e da atividade elétrica cerebral. (4) melhora importante na cognição, principalmente nas habilidades atencionais, memória de curto e longo prazo, no planejamento e na produtividade. A associação de diferentes instrumentos e práticas diagnósticas e terapêuticas mostra-se de grande utilidade nos cenários clínico e de pesquisa para tratamentos e investigações mais eficazes.

 

REFERÊNCIAS:
Barnett, J. E., Shale, A.J (2012). The Integration of Complementary and Alternative Medicine (CAM) Into the Practice of Psychology: A Vision for the Future. Professional Psychology: Research and Practice. 2012, Vol. 43, No. 6, 576 –585
Frank, D. L., Khorshid, L., Kiffer, J. F., Moravec, C. S., & McKee, M. G. (2010). Biofeedback in medicine: who, when, why and how?. Mental health in family medicine, 7(2), 85–91.
Mayo Clinic. Biofeedback. Retrieved from https://www.mayoclinic.org/tests-procedures/biofeedback/about/pac-20384664,
World Health Organization. (2018). International statistical classification of diseases and related health problems (11th Revision). Retrieved from https://icd.who.int/browse11/l-m/en

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