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O uso de métodos integrados de diagnóstico e sua importância


Foto: Matthew Bennett


O envelhecimento é um processo natural que, por consequência, implica em deteriorações em diversas funções cognitivas, como a memória, a atenção e a aprendizagem. Dessa forma, muitas vezes é difícil distinguir entre alterações corporais causadas pelo próprio processo de envelhecimento de disfunções patológicas, como o aparecimento de sintomas da doença de Alzheimer por exemplo.


Com isso em mente, realizamos um estudo de caso pelo Centro de Pesquisa em Neurociências do Instituto de Ensino e Pesquisa em Saúde e Educação (IEPSE) e do Instituto de Medicina e Psicologia Integradas (IMPI) com uma voluntária de 96 anos com queixa de perda de memória onde buscamos avaliar, com o uso testes psicométricos, eletroencefalograma neuroimagens, a causa dessa perda cognitiva, se era por consequência normal do envelhecimento ou uma outra causa de fundo patológico.


A voluntária apresentou raciocínio e funcionamento social e cognitivo consistente com o processo de envelhecimento saudável, conforme avaliados pelos testes psicológicos. Os déficits de memória e habilidades visuais e motoras apontaram para possíveis processos patológicos, que no entanto, não eram característicos de uma Demência de Alzheimer. Com a combinação dessas ferramentas diagnósticas, foi possível identificar um transtorno cognitivo leve, porém não devido à Demência de Alzheimer!


Vale a pena ressaltar a importância desse tipo de avaliação em um contexto clínico, pois um diagnóstico falso acarreta em tratamento desnecessários, maiores custos e desgaste físico para a condição de uma pessoa que não tem realmente a doença em questão. Ainda, uma pessoa cuja doença não foi diagnosticada ou foi identificada erroneamente que seus prejuízos cognitivos são decorrentes do envelhecimento terá sérios prejuízos na vida diária e na sua autonomia, pois essa doença iria se desenvolver sem um devido tratamento, correndo o risco de ser seriamente agravada. Assim, é importante que diversos instrumentos diagnósticos sejam usados, como os testes psicológicos, o eletroencefalograma e as neuroimagens, de forma que melhor contemplem todas as queixas, sintomas e alterações da pessoa em questão.

Caio Fontenelle Gonçalves

Graduando em Psicologia pela Universidade de Brasília

Thaiane Albuquerque Souza Campos

Graduanda em Psicologia pela Universidade de Brasília

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