TREINAMENTO DE TÉCNICA AUDIOVISUAL ASSOCIADA A ESTIMULAÇÃO TRANSCRANIANA POR CORRENTE CONTÍNUA (TDCS) EM PACIENTES COM AFASIA DE BROCA: EFEITOS NO DESEMPENHO EM TAREFA DE NOMEAÇÃO

"Ao IMPI, minha gratidão pelo incentivo a pesquisa e colaboração inestimável, nos disponibilizando o ambiente e instrumentos necessários para nossa coleta de dados. Agradeço especialmente à admirável Dra. Francisca Sampaio Leão, profissional extraordinária, pela qual tenho profunda admiração e carinho. Obrigada pela oportunidade, disponibilidade, estímulo e confiança." Msc. Cláudia Pietrobon.*

Aafasia de Broca é um distúrbio que afeta principalmente a expressão da linguagem oral. Terapias comportamentais computadorizadas, como a terapia audiovisual, têm sido difundidas como possibilidades de tratamento para afasia de Broca, pois resultam em aumento na produção de fala. Na terapia audiovisual de produção, pacientes recebem pistas audiovisuais (ex., vídeo de uma boca articulando a pronúncia de uma palavra) enquanto tentam nomear imagens.

 

A estimulação transcraniana por corrente continua (tDCS), forma de neuromodulação não invasiva que utiliza corrente elétrica contínua de baixa intensidade, é uma ferramenta que pode melhorar o desempenho em diversas habilidades cognitivas. Quando associada a terapias comportamentais, a tDCS tem se mostrado eficaz na neurorreabilitação em indivíduos com afasia de Broca.

 

O presente estudo teve como objetivo investigar se uma forma específica de estimulação transcraniana por corrente contínua, a tDCS anódica (tDCS-A), pode potencializar os efeitos da terapia audiovisual de produção sobre o desempenho de indivíduos com afasia de Broca em uma tarefa de nomeação de imagens. Em materiais e métodos, participaram 20 voluntários adultos e idosos diagnosticados com afasia de Broca, divididos em dois grupos, anódico (N = 10) e placebo (sham; N = 10), em um delineamento duplo-cego e randomizado. Todos realizaram 10 sessões de 20 minutos de terapia audiovisual associada à aplicação de tDCS (2mA; eletrodo F7, próximo à área de Broca). Os participantes realizaram tarefas de nomeação com três listas de 18 imagens antes do tratamento, logo após a última sessão de tratamento e três meses após o fim do tratamento. Uma das listas foi treinada durante o tratamento, e as outras duas, não, a fim de avaliar efeitos de generalização. Avaliou-se também se o tratamento afetaria itens fáceis (com baixa variabilidade de nome) e difíceis de maneira diferente.

 

Nos resultados pode-se observar que ambos os grupos apresentaram melhora significativa na tarefa de nomeação tanto para itens treinados quanto não treinados. O grupo anódico apresentou melhora significativamente maior que o grupo placebo (sham). Dois novos achados sugerem ainda que a tDCS anódica (1) pode aumentar a intenção comunicativa de pacientes no longo prazo e (2) é particularmente benéfica para a nomeação de itens difíceis.

 

Nesse estudo, pacientes com afasia não fluente grave foram submetidos a uma terapia audiovisual de produção juntamente com estimulação transcraniana por corrente contínua. Conclui-se que o grupo exposto à combinação terapia-estimulação demonstrou maior melhora na produção oral dos itens treinados, generalização e maior resistência a efeitos de ambiguidade lexical. Estudos futuros com pacientes com afasia menos grave e com maior controle da dificuldade dos estímulos podem ajudar no desenvolvimento de terapias de produção oral mais eficazes.

Palavras-chave: afasia de Broca, área de Broca, acidente vascular cerebral, estimulação transcraniana por corrente contínua, terapia audiovisual.

* - Em sua dissertação de mestrado a Msc. Cláuia Pietrobon agradeceu ao IMPI e à Dra. Francisca S. Leão, diretora-presidente do IMPI e IEPSE, por seu incentivo à pesquisa e inovação com a dedicatória citada.

Editado por Matheus T. Araújo

Coordenador do Centro de Pesquisa em Nerociências IEPSE/IMPI

matheus@iepse.com.br

21/08/2018

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